Notícia: Vacinação nas empresas amplia a imunização no Brasil

Vacinação nas empresas amplia a imunização no Brasil

Compartilhar

Entenda os impactos da queda da cobertura vacinal e como a vacinação dentro das fábricas, em parceria com o SESI, tem revertido esse quadro.
 

Pessoa vacinando

Você provavelmente já adiou a vacina da gripe. Faltou tempo, o posto de saúde tinha fila, ou o dia de folga foi usado para resolver outra coisa. Para boa parte dos trabalhadores brasileiros, esse adiamento se repete todos os anos, até a doença chegar primeiro.

Entre as crianças, a vacinação também vem caindo nos últimos anos. Desde 2015, o Brasil enfrenta queda contínua na cobertura vacinal infantil, segundo o Anuário VacinaBR 2025, do Instituto Questão de Ciência (IQC), com apoio da Sociedade Brasileira de Imunizações e do UNICEF. Mesmo com uma recuperação parcial a partir de 2022, em 2025 apenas duas vacinas do calendário nacional atingiram a meta de 95% de cobertura. Essa meta não foi implementada agora. Ela é estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Para a maioria dos imunizantes do calendário nacional, a meta de cobertura é de 95%; para BCG e rotavírus, de 90%.

A queda na vacinação tem impactos diretos. Pessoas ainda morrem de doenças que a vacina poderia evitar.  Em 2025, a Influenza A (gripe) ultrapassou a Covid-19 como a principal causa de mortes por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) de acordo com dados do InfoGripe, produzido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ao todo, foram 13.678 óbitos por SRAG no Brasil no ano passado.

A imagem mostra uma pessoa gripada

Qual o impacto da vacinação na saúde e na produtividade?

A meta de 95% protege não apenas quem toma vacina, mas também quem não pode ser vacinado, garantindo a chamada imunidade coletiva. Ainda assim, é comum tratar a vacina como uma escolha estritamente individual.

Para quem pensa assim, Natália Martins, enfermeira e sanitarista do SESI, propõe outro ponto de partida.
"Costumo perguntar: dentro da sua casa, se você tivesse a oportunidade de não passar ou diminuir o risco de transmitir a doença para seu pai ou seu filho, você escolheria isso, certo? O ato de se vacinar representa essa escolha, diz.

O impacto também aparece na rotina de trabalho. Segundo Natália, a preocupação com o presenteísmo, o trabalhador doente que vai trabalhar assim mesmo, tem ganhado espaço ao lado do absenteísmo.

"Com a vacinação, se reduz o risco de contaminação, mesmo que o trabalhador se contamine com o vírus da gripe, os danos vão ser bem menores. O impacto no dia a dia pode ser menor, e o trabalhador pode continuar produtivo, com sintomas leves", explica.

Natalia Martins
Natália Martins, enfermeira e sanitarista do SESI. Foto: arquivo pessoal

Como aumentar a adesão à vacina?

Uma das formas de ampliar o acesso é levar a vacinação para dentro das empresas, reduzindo a necessidade de deslocamento do trabalhador.

Desde 2011, o SESI realiza campanhas nacionais de vacinação contra a gripe em 26 estados anualmente. Em 2026, até julho, mais de 766 mil vacinas foram aplicadas em trabalhadores da indústria.

Pessoa vacinando
A vacinação nas empresas é uma forma eficaz de ampliar a imunização no Brasil. Foto: Frank Meriño/Pexels

Natália relata uma melhora recente na adesão dentro das empresas atendidas pelo SESI, segundo levantamento feito com os departamentos regionais.

No chão de fábrica, essa adesão aumenta com ajustes concretos, como atendimento em três turnos, horário flexível, setorização para reduzir filas, vacinas monodose que agilizam o preparo e comunicação prévia aos trabalhadores. Nas ações de Dia D de vacinação do trabalhador da indústria, realizadas em parceria com o Ministério da Saúde, o SESI amplia a oferta para além da vacina da gripe, com imunizantes contra difteria e tétano (dT), febre amarela, tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e hepatite B.

"Fizemos um trabalho ainda maior com o Zé Gotinha, personagem cativante que impacta positivamente e aumenta a adesão", conta Natália. Em algumas unidades, o ponto de vacinação é montado na entrada da fábrica, o que permite imunizar também moradores do entorno

Por que o Brasil é considerado referência mundial em vacinação?

O Brasil recebeu, em 1973, a certificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) pela erradicação da varíola, e em 1994, o certificado de eliminação da circulação do poliovírus selvagem nas Américas, concedido pela OMS e pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Criado no mesmo ano da certificação da varíola, o PNI, é reconhecido internacionalmente e integra o programa da OMS, com apoio técnico da UNICEF, do Rotary Internacional e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Passados 50 anos da criação do programa, a queda recente nos índices de vacinação levanta a dúvida se o país ainda ocupa essa posição.

"O Brasil continua  sendo referência mundial em vacinação, sobretudo, pelo trabalho do SUS. Temos que continuar combatendo notícias falsas e desinformação”, afirma.

É nesse ponto que ela situa a atuação do SESI, não como substituto do sistema público, mas como reforço em pontos que ele nem sempre alcança.

Pessoa vacinando

"Nossa missão aqui no SESI é complementar essa imunização e levar vacinas onde o SUS não consegue ir", diz. Como exemplo recente, cita uma campanha em São Paulo com meta de imunizar 20 mil trabalhadores contra o sarampo.

Segundo ela, o país vive um momento de retomada da confiança na vacinação, impulsionado pelo aumento da conscientização registrado desde 2022.

Quem pode participar da vacinação do SESI e como funciona

O acesso varia conforme o estado e a estrutura de cada Departamento Regional (DR). Em algumas unidades, o benefício é exclusivo para trabalhadores da empresa contratante; em outras, alcança também a comunidade e os dependentes, como acontece nas salas de vacina vinculadas ao SUS na região Norte e Nordeste. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, além das campanhas tradicionais nas indústrias, o SESI mantém clínicas próprias, com desconto para o trabalhador da indústria em imunizantes.

O calendário também acompanha as particularidades de cada região. A campanha nacional do SESI roda de março a julho, com maior procura no início desse período.

Vacina é com o SESI. O slogan resume a proposta por trás dessas frentes, que é entregar não só o imunizante, mas uma solução completa de gestão vacinal (planejamento, logística, aplicação e acompanhamento), para que a empresa cuide da saúde dos trabalhadores com segurança e sem complicação. 

Conheça as soluções de vacinação do SESI para empresas

Perguntas frequentes

O que é a vacinação in company do SESI?

É a aplicação de vacinas dentro do próprio ambiente de trabalho, organizada por turnos e setores para reduzir filas e facilitar o acesso do trabalhador, sem que ele precise se deslocar até um posto de saúde.

Quem pode ser vacinado nas campanhas do SESI?

Depende do estado e da estrutura do Departamento Regional. Em algumas unidades, apenas trabalhadores das empresas contratantes têm acesso; em outras, como na região Norte e Nordeste, dependentes e moradores da comunidade também podem ser imunizados.

A vacinação do SESI oferece só a vacina da gripe?

Não. Além da vacina contra a gripe, o SESI oferece outros imunizantes do calendário do adulto em ações específicas, como dT, febre amarela, tríplice viral e hepatite B.

Quando começa a campanha de vacinação do SESI?

Na maior parte do país, a campanha começa em maio, podendo se antecipar para abril em alguns estados. Na região Norte, o período é diferente, com início em outubro, por causa do inverno amazônico.

Por que a vacinação dentro da empresa aumenta a adesão dos trabalhadores?

Fatores como organização de filas, atendimento em múltiplos turnos, vacinas monodose e comunicação prévia reduzem as barreiras práticas que normalmente afastam o trabalhador do posto de vacinação.