Sonhos e projetos de vida das juventudes pautam debates no Trampos do Futuro
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Na 2ª edição do evento, iniciativas da Fundação Roberto Marinho conectam jovens a oportunidades de inclusão produtiva, economia criativa e carreira científica

Quais são os sonhos e as expectativas das juventudes para o futuro? Fazer com que o público refletisse sobre essas possibilidades era a missão da Árvore do Amanhã, uma instalação lúdica proposta pela Fundação Roberto Marinho durante a 2ª edição do evento Trampos do Futuro, realizado em São Paulo, nos dias 20 e 21 de agosto. Promovido pela Fundação Itaú, por meio do Itaú Educação e Trabalho, o encontro reuniu mais de 40 instituições parceiras em uma jornada de descobertas, aprendizado e acolhimento. Segundo a organização, cerca de cinco mil pessoas participaram do evento.
Para aproximar os jovens de seus próprios horizontes profissionais, a Fundação Roberto Marinho promoveu atividades que dialogam com a pluralidade desse público. Com o Aprendiz Legal, os participantes puderam entender como acessar oportunidades de aprendizagem e mapear vagas abertas pelas entidades parceiras da Coalizão Aprendiz Legal. Já os interessados em economia criativa conheceram de perto as formações gratuitas da co.liga, escola digital com mais de 60 cursos. O percurso também contemplou quem deseja seguir carreira científica, com rodas de conversa do Prêmio Jovem Cientista.
A programação também contemplou quem atua na formação desses jovens. Professores e educadores puderam participar da oficina do Desponta, uma iniciativa recém-lançada pela Fundação Roberto Marinho. O material pedagógico tem o objetivo de apoiar os docentes na construção dos projetos de vida dos alunos, aproximando a escola e o mundo do trabalho e facilitando a transição entre esses dois momentos da vida.
“Trouxemos todo esse repertório por entendermos que as juventudes são diversas, com aptidões, expectativas e sonhos múltiplos", explica Alzira Silva, supervisora de Inclusão Produtiva da Fundação Roberto Marinho. "Na prática, levamos essas iniciativas pensando em como cada uma delas pode fortalecer o projeto de vida dos jovens, apontando caminhos para que eles reflitam sobre seus desejos, identifiquem seus perfis e se insiram no mundo profissional."
Ela acrescenta: “Trouxemos a Árvore do Amanhã porque queríamos, antes de tudo, ouvir os sonhos dessas juventudes e entender quais são as suas demandas. Isso é fundamental para continuarmos desenvolvendo propostas que fortaleçam esse caminho”.

Para Maria Clara, de 15 anos, a aproximação com o mundo do trabalho passa pela tecnologia e pela familiaridade com as várias linguagens. A estudante destacou a presença da robótica e de dinâmicas de RPG (jogos de interpretação) como grandes acertos da programação. "Como a inteligência artificial está muito presente no mundo agora, achei interessante a forma como trouxeram isso para podermos aprender", avalia.
Ao passar pela Árvore do Amanhã, a jovem ressaltou a potência de reunir tantas perspectivas em um só espaço. "É muito legal a ideia de você poder ler as mensagens, porque é interessante ver como cada pessoa tem um sonho diferente", observa. Ao deixar o seu próprio recado nos galhos da instalação, Maria Clara projetou um futuro voltado para a ciência: "Escrevi que quero muito poder cursar astronomia, porque, desde pequena, sempre achei muito legal tudo que envolve o espaço”.
Aos 16 anos, Eduarda Mendonça de Azevedo foi outra participante que deixou seu desejo registrado na Árvore do Amanhã. Entusiasmada com os aprendizados do evento, ela aproveitou a instalação para refletir sobre o próprio futuro. “Escrever o nosso sonho é importante porque a gente para pra pensar o que quer. Ao mesmo tempo, vemos os sonhos das outras pessoas e entendemos as escolhas de cada um”, relata. Para o próprio futuro, a jovem tem objetivos claros: “Meu sonho é ser psicóloga. Acho uma profissão linda e quero ser uma boa profissional para poder inspirar os outros”.

Professor de duas escolas públicas da Zona Leste de São Paulo, Marcos Caique participou da oficina sobre o Desponta. Para ele, expandir as fronteiras do currículo escolar e conectar os jovens a vivências como as do evento são passos fundamentais. “Oportunidades como essas vão muito além da preparação para o mercado de trabalho, impactam todo o repertório e a comunicação deles”, avalia.
Em sala de aula, as ansiedades sobre o primeiro emprego aparecem frequentemente, e o professor dedica tempo para orientar os alunos, tirando dúvidas sobre postura, comunicação e preparo para entrevistas.
A cidadania digital é outro desafio. O educador observa que, embora os estudantes sejam nativos digitais, muitas vezes o uso se restringe a poucas redes sociais de entretenimento, limitando o potencial da internet como ferramenta de qualificação. “O tema é complexo. Trabalhamos para mostrar como eles podem organizar os estudos através das redes e acessar outras visões. O objetivo é direcioná-los para que percebam o quanto o mundo digital é gigantesco, ajudando-os a furar as bolhas em que muitas vezes ficam presos”, reflete o professor.
Oportunidades para o tempo presente
A superintendente do Itaú Educação e Trabalho, Silvana Oliveira, destacou que o objetivo central desta segunda edição do Trampos do Futuro foi aproximar os estudantes do mundo do trabalho em um contexto de grandes transformações, impulsionadas pelas novas tecnologias, pelas mudanças climáticas e pelo envelhecimento da população brasileira.
Durante os dois dias, os participantes vivenciaram experiências práticas, exploraram diferentes áreas profissionais e puderam dialogar com quem já atua no mercado, descobrindo caminhos possíveis para seus próprios projetos de vida. As economias do futuro e a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) foram os eixos que orientaram esses debates.
No espaço de carreiras, por exemplo, as juventudes puderam tirar dúvidas e buscar orientações práticas para dar os primeiros passos na vida profissional, como estruturação de currículos, dicas para entrevistas de emprego, mapeamento de programas de estágio e acesso a cursos técnicos.
Para Silvana Oliveira, é fundamental que diferentes atores sociais assumam, de forma conjunta, o compromisso com a criação de oportunidades para as juventudes. “O evento nasceu da convicção de que aproximar a juventude do mundo do trabalho é uma responsabilidade compartilhada. Por isso, tão importante quanto preparar os jovens para os desafios profissionais é engajar o setor produtivo como protagonista nesse processo, contribuindo ativamente para a sua formação, desenvolvimento e inclusão”, conclui.
