Notícia: Apresentações culturais ocupam espaços públicos em iniciativa da Motiva e da Fundação Roberto Marinho

Apresentações culturais ocupam espaços públicos em iniciativa da Motiva e da Fundação Roberto Marinho

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Grupos que foram selecionados em edital da co.liga, passaram por jornada de formação e se apresentaram ao público em São Paulo, Salvador e no Rio de Janeiro

Uma apresentação artística acontece em um espaço que parece ser uma estação ou área coberta de transporte, com estrutura metálica e placas de sinalização ao fundo. No centro, uma mulher se apresenta no palco, usando roupas claras e esvoaçantes, com expressão envolvente e postura de performance. Atrás dela, outros artistas acompanham, incluindo um músico e uma pessoa em pé, compondo a cena.
O grupo Fọ̀ Ìlù levou sua arte para o público do Metrô de Salvador. Foto: Gabriel Martins

Entre os dias 27 de março e 7 de abril, estações de metrô em São Paulo e Salvador, além de espaços públicos na Vila Olímpica da Gamboa, no Rio de Janeiro, receberam uma programação especial de apresentações culturais. As ações marcaram a etapa final do edital Cultura em Movimento, iniciativa da Motiva, por meio do Instituto Motiva, em parceria com a Fundação Roberto Marinho. 

Os 12 grupos selecionados, quatro de cada cidade, participaram de uma jornada de formação e preparação para a apresentação de seus espetáculos. Os coletivos trabalharam com diferentes linguagens artísticas: do slam ao teatro, da música à dança, refletindo a diversidade de expressões culturais presentes nos territórios. 

Na primeira etapa de formação, os participantes realizaram cursos sobre comunicação digital para projetos culturais na co.liga. Também participaram de aulas sobre expressão corporal, performance e apresentações em espaços públicos. Além de aprimorar as propostas artísticas de cada grupo, o processo formativo buscou fortalecer a presença digital dos coletivos, ampliando sua visibilidade e oportunidades de atuação. 

“O edital Cultura em Movimento reafirma o compromisso do Instituto Motiva em democratizar o acesso à cultura e levar oportunidades para onde as pessoas estão. Ao apoiar coletivos locais, fortalecemos a economia criativa dos territórios e ampliamos o impacto social das nossas ações. Ver artistas ocupando espaços públicos e dialogando com o fluxo da cidade mostrou, na prática, como a arte pode transformar realidades e aproximar comunidades do seu próprio patrimônio cultural”, afirmou Renata Ruggiero, presidente do Instituto Motiva. 

A formação incluiu ainda uma etapa prática. Cada grupo contou com o acompanhamento de mentores, que auxiliaram no desenvolvimento das propostas individuais e no aprimoramento das performances. Os ensaios também passaram a integrar a rotina dos participantes, aumentando a expectativa para o momento mais aguardado do programa: as apresentações públicas. Cada um dos grupos selecionados no edital recebeu um aporte de R$ 8 mil para apoiar sua jornada de formação.

A imagem mostra um grupo de cinco pessoas em um palco, de mãos dadas e com os braços levantados, como se estivessem finalizando uma apresentação e recebendo aplausos.  Elas vestem roupas em tons claros e terrosos, com um estilo leve e fluido, sugerindo uma proposta artística ou cultural. Algumas usam microfones de cabeça, indicando que houve fala ou performance ao vivo. As expressões são sérias ou emocionadas, transmitindo intensidade e conexão com o momento.
A Cia Mandingueira durante apresentação no Metrô de São Paulo. Foto: Thais Namai.

No dia 27 de março, as apresentações chegaram ao metrô de São Paulo. Os grupos ‘Bunker’, ‘Cia Mandingueira’, ‘Olho da Serpente’ e ‘Trinca’ se apresentaram na estação Vila Sônia, na Linha 4-Amarela.  

Também no fim de março, as apresentações aconteceram na estação Iguatemi, da Linha 2 do Metrô Bahia, com os grupos Da rua pra rua, afYAda’S, Fọ̀ Ìlù e Trup.Catraca. 

As performances do Rio de Janeiro foram realizadas no dia 7 de abril, na Vila Olímpica da Gamboa, com participação dos grupos Aula Delas, Companhia Macaná, Peleferia e Coletivo Corte.  

Coletivos de São Paulo 

Para o Coletivo Trinca, formado por artistas de origens indígenas, africanas e LGBTQIAPN+, o edital representou uma chance de dar continuidade a uma pesquisa artística marcada pela experiência de deslocamento após as enchentes no Sul do Brasil. Hoje, radicado em São Paulo, o grupo transformou a vivência de refugiados climáticos em criação cênica. “A participação no Cultura em Movimento contribuiu para a sustentabilidade do coletivo e para ampliar a visibilidade de narrativas historicamente apagadas”, disse Erick Flores.

Dois performers estão em destaque: um à frente, sorrindo, com um figurino marcante em tons escuros, com elementos que lembram penas ou fibras, e outro logo atrás, também sorridente, vestindo roupas em azul e marrom e segurando um objeto. Ambos usam microfones de cabeça, sugerindo uma performance que combina fala, música ou teatro.
Apresentação do Coletivo Trinca em São Paulo. Foto: Thais Namai.

O Coletivo Olho da Serpente, criado em 2021 por artistas originários, periféricos, migrantes e trans, viu na iniciativa uma possibilidade de fortalecer uma pesquisa que atravessa fotografia, performance, música e moda para refletir sobre pertencimento, memória e educação ambiental. “Nossa participação amplia o alcance de um trabalho que entende o corpo como arquivo vivo de histórias e saberes, capaz de conectar experiências de diferentes territórios da América Latina”, avaliam Pyxuá R. de Castro, Jessica de Campos e Nahuel Vera. 

As imagens mostram apresentações artísticas em espaço público, com performers usando figurinos criativos e interagindo com o público. Em uma cena, uma artista canta ao microfone; em outra, um performer teatral exibe um objeto diante de espectadores, em um ambiente que remete a uma estação de transporte.
Da esquerda para a direita: Coletivo Olho da Serpente e BUNKER Coletivo. Fotos: Thais Namai.

Para a Cia Mandingueira, a oportunidade teve impacto direto na consolidação do espetáculo Acalanto para Mãos Ásperas, projeto que vinha sendo desenvolvido pela companhia desde 2024. “As formações e os recursos oferecidos fortaleceram nossa capacidade de circulação e impacto, contribuindo para continuidade do grupo e, também, para a democratização do acesso ao teatro em territórios historicamente afastados dos grandes circuitos culturais”, refletiu o grupo. 

Já os integrantes do BUNKER Coletivo destacaram o edital como um divisor de águas em suas trajetórias. “A iniciativa projetou nacionalmente uma atuação construída em praças, quadras e espaços comunitários, além de validar as tecnologias sociais e artísticas desenvolvidas pelo grupo. Também foi uma oportunidade de apresentar a comunidade de Pinheirinho dos Palmares a partir de sua potência criativa e cultural”, destacou o grupo. 

Coletivos de Salvador 

O Da rua pra rua é um coletivo cultural, artístico e educativo que tem como objetivo trazer perspectiva para as comunidades periféricas da Região Metropolitana de Salvador. “A nossa expectativa era mostrar a nossa mensagem-denúncia para o mundo através da arte e identidade local. Sempre buscamos valorizar a identidade periférica e elevar a autoestima dos jovens que fazem parte dela, mostrando que a arte pode ser um caminho e possibilidade para eles”, contou uma das participantes, Estéfane Santos.

artistas se apresentam no palco com música e expressão corporal. Instrumentos de percussão e iluminação cênica destacam a performance, enquanto os movimentos dos participantes no chão e em pé sugerem uma narrativa artística intensa e sensorial.
Coletivo Da rua pra rua se apresentou no Metrô de Salvador. Foto: Gabriel Martins

O grupo de poesia afYAda'S relata que o processo de formação com a co.liga foi importante para revelar o potencial de transformação que o coletivo apresenta.  “Levar as afYAda’S para uma estação de metrô, onde milhares de pessoas circulam diariamente, significa tocar pelo menos uma delas com a nossa poesia e transformar o trânsito em um território de encontro”, contou Cecília Cabral. 

Outro grupo que se apresentou foi o Fọ̀ Ìlù, que nasceu do encontro entre ritmo, palavra e ancestralidade. Segundo as integrantes, a participação no edital surgiu do desejo de expandir o trabalho do coletivo e ocupar novos espaços. “Vimos no Cultura em Movimento uma oportunidade de fortalecer nossa pesquisa estética e amadurecer enquanto coletivo. As formações e mentorias foram fundamentais para dar forma e consciência ao nosso trabalho”, destacaram. 

Já a Trup.Catraca reúne artistas independentes que se encontraram durante a residência do Circo Picolino e passaram a desenvolver números a partir das linguagens do circo, da dança e do teatro. Eles levam intervenções artísticas para espaços públicos de Salvador e se sustentam por meio da contribuição voluntária do público. “Foi uma oportunidade inédita de levar nosso trabalho para o metrô de Salvador com apoio institucional e recursos para estruturar melhor a trupe. Essa experiência nos incentiva a criar números e ampliar nossa trajetória profissional”, afirmam os integrantes.

Uma artista manipula bambolês iluminados diante de um painel azul com a identidade visual do evento, criando um efeito visual dinâmico e colorido. Os círculos no ar e no chão reforçam a ideia de movimento e leveza.  Na segunda imagem, um grupo de performers realiza uma apresentação de dança com elementos de cultura afro-brasileira. Os corpos em movimento, a presença de fumaça cênica e a participação do público ao redor criam uma atmosfera envolvente e coletiva.
Da esquerda para a direita: Trup.Catraca e afYAda'S. Foto: Gabriel Martins

Coletivos do Rio de Janeiro 

A Companhia Manaká é um coletivo formado por Daniel Sanches, Eliayse Villote, Vítor Constant, Bárbara Farias e Luciano Rufino. Os cinco artistas desenvolvem um trabalho de circo contemporâneo em diálogo com a dança a partir da cosmologia indígena, inspirada na tradição Guarani, para narrar a criação do mundo a partir de Tupã, com elementos simbólicos. Na apresentação, a ideia foi traduzida em linguagem cênica por meio do circo contemporâneo, com o uso de uma estrutura aérea que permite acrobacias e cria imagens de leveza associadas ao cosmos e aos planetas. O trabalho também incorpora forte presença da dança, incluindo referências à dança indígena e à dança afro.   

A imagem mostra uma apresentação artística ao ar livre, marcada por forte expressão corporal e estética performática.  No centro da cena, um artista sustenta outro nos ombros, criando uma composição acrobática que transmite equilíbrio e força. A pessoa no alto, com figurino fluido e maquiagem elaborada, estende o braço em um gesto expressivo, enquanto o performer de base usa um traje com elementos dourados que destacam o corpo e o movimento.
Apresentação da Companhia Manaká na Vila Olímpica da Gamboa, no Rio. Foto: Lucas Bulhões.

Já o coletivo Aula Delas, criado por Isabella Bellas e Kley Hudson, tem como foco artistas e dançarinos trans e conta com as participações de Angel Lua, Artur Azevedo e Lari Ferreira. Uma das fundadoras, Isabella, contou que a formação oferecida pela co.liga foi essencial para montagem do espetáculo. “Como artistas autônomos, as aulas e palestrantes convidados no processo de formação foram muito importantes para enxergarmos diferentes caminhos e possibilidades de criação. O contato e a troca com os outros coletivos também foram essenciais e agregaram muito no processo criativo”.

A imagem mostra uma apresentação de dança ao ar livre, com forte energia e expressividade.  No primeiro plano, uma das performers abre os braços e sorri intensamente, transmitindo alegria e entrega ao movimento. Ao redor, outras artistas dançam com gestos amplos e coreografias marcantes, vestindo figurinos predominantemente pretos que destacam o corpo e a dinâmica da cena.
Integrantes do coletivo Aula Delas durante apresentação. Foto: Lucas Bulhões

Formado por jovens de comunidades periféricas, o coletivo de teatro Corte consolidou-se em 2024, por meio da escola de artes livres 'Entre Lugares Maré'. O grupo é composto por Edson Martins, Fernanda Ponte, Jade Cardoso, Lucas da Silva, Roger Neri, Thiago Manzotti e Yasmin Rodrigues, e conta com direção cênica de Renata Tavares. A proposta central é pautar narrativas pretas e periféricas. “Por meio das masterclasses, conseguimos ampliar o nosso olhar sobre como abordar esses temas para além do viés da dor. Passamos a entender como tratar a dor com mais sensibilidade, trazendo um ponto de vista que gera reflexão e provoca de uma forma mais profunda”, destacou Thiago Manzotti,. 

O coletivo Peleferia, formado por Adrielle Carvalho, Andrezza Soares e Dudu Neves apresentou o projeto “Trabalho Nosso De Cada Dia”. O grupo preparou um esquete voltado ao desgaste físico e psicológico causado pela escala 6 por 1 e seus exploradores, com o objetivo de provocar o público a questionar sobre o assunto e refletir sobre a própria rotina, como por exemplo, se vivem mais em casa ou no ambiente de trabalho.

As imagens mostram momentos de uma apresentação coletiva de dança e expressão corporal em espaço aberto, com forte interação entre performers e público. Na primeira cena, duas artistas executam movimentos sincronizados utilizando bastões. Na segunda imagem, um grupo maior de performers aparece agachado, organizado em formação, com olhares direcionados para o mesmo ponto.
Da esquerda para a direita: Coletivo Peleferia e Coletivo de Teatro Corte. Foto: Lucas Bulhões.