Notícia: Brasil perde R$ 66 bilhões por ano ao deixar 64 milhões de pessoas sem concluir a educação básica, alertam especialistas no Rio Innovation Week

Brasil perde R$ 66 bilhões por ano ao deixar 64 milhões de pessoas sem concluir a educação básica, alertam especialistas no Rio Innovation Week

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Painel da Rede EJA e Inclusão Produtiva defende fortalecimento da educação de jovens e adultos como estratégia para impulsionar inovação, desenvolvimento econômico e redução das desigualdades

Rio Innovation Week
Especialistas da Fundação Bradesco, Redes da Maré e Fundação Roberto Marinho durante painel no Rio Innovation Week. Foto: Divulgação

O Brasil deixa de gerar R$ 66 bilhões por ano em rendimentos provenientes de profissionais no mercado de trabalho porque cerca de 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica. O impacto econômico e social desse cenário foi o centro do painel "O Brasil pode inovar deixando 64 milhões para trás?", realizado nesta terça-feira (4/8), durante o Rio Innovation Week, que acontece até o dia 7 de agosto no Píer Mauá, no Rio de Janeiro. Promovido pela Rede EJA e Inclusão Produtiva, o debate reuniu representantes da Fundação Roberto Marinho, Fundação Bradesco e Redes da Maré para discutir como a ampliação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) pode impulsionar inovação, produtividade e desenvolvimento sustentável no país.

Os dados apresentados durante o encontro fazem parte de um estudo inédito da Rede EJA e Inclusão Produtiva, e mostram que aproximadamente 37% da população brasileira com 15 anos ou mais está fora da escola sem concluir a educação básica. Segundo o levantamento, a conclusão da educação básica por essa parcela da população poderia injetar R$ 66 bilhões por ano em rendimentos provenientes de profissionais no mercado de trabalho na economia brasileira. Durante o painel, também foi destacado que esse avanço poderia retirar mais de um milhão de pessoas da situação de pobreza.

Ao longo da conversa, as especialistas defenderam que a educação de jovens e adultos deve deixar de ser vista apenas como uma política educacional e passar a ocupar um papel estratégico nas agendas de desenvolvimento econômico e inovação. Para elas, o desafio não se resume à abertura de vagas, mas exige políticas públicas integradas que garantam acesso, permanência e conclusão dos estudos.

"Não estamos fazendo um ensino para um estudante que trabalha, mas para um trabalhador que estuda", afirmou Barbara Frasseto, líder de Inovação Pedagógica da Fundação Bradesco. Segundo ela, toda a estrutura da modalidade precisa ser organizada a partir da realidade desse público, conciliando educação, trabalho e oportunidades de desenvolvimento.

Barbara também destacou que, embora existam iniciativas bem-sucedidas conduzidas por organizações da sociedade civil e pelo setor privado, o país precisa ampliar a escala dessas experiências por meio de políticas públicas articuladas.

"Temos excelentes iniciativas acontecendo em diferentes regiões do Brasil, mas precisamos de uma articulação nacional para alcançar os cerca de 64 milhões de brasileiros que ainda estão à margem desse direito."

Diretora da Redes da Maré, Andréia Martins reforçou que organizações da sociedade civil podem contribuir para aprimorar políticas públicas, mas não substituir o papel do Estado.

"Ninguém que oferece educação de jovens e adultos fora do sistema público quer substituir o que é responsabilidade do poder público. Nosso papel é produzir conhecimento nos territórios, gerar evidências e contribuir para que as políticas públicas estejam cada vez mais alinhadas às necessidades reais da população."

Durante o debate, a superintendente de Conhecimento da Fundação Roberto Marinho, Rosalina Soares, destacou que o país já conhece os principais obstáculos enfrentados pela população que abandona a escola, como pobreza, dificuldade de conciliar estudo e trabalho, maternidade e falta de oferta da modalidade. Segundo ela, o próximo passo é transformar experiências bem-sucedidas em políticas capazes de alcançar milhões de brasileiros.

"Já sabemos quais são os desafios e conhecemos as políticas que funcionam. O que precisamos agora é ampliar essas soluções e entender que inovação social depende da participação de todos nós."

As especialistas também defenderam maior integração entre governos, setor produtivo, organizações da sociedade civil e organismos internacionais para fortalecer a educação de jovens e adultos como política permanente de desenvolvimento do país.

Ao encerrar o painel, Andréia Martins chamou atenção para outro dado que evidencia a urgência do tema: 1.098 municípios brasileiros ainda não ofertam educação de jovens e adultos em suas redes públicas, apesar de a modalidade ser assegurada pela Constituição Federal e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Segundo ela, ampliar essa oferta é um passo fundamental para garantir o direito à educação e reduzir as desigualdades sociais.

"O debate sobre educação de jovens e adultos ainda ocupa pouco espaço no país, mesmo impactando milhões de brasileiros. Precisamos colocar esse tema definitivamente na agenda pública."

A Rede EJA e Inclusão Produtiva reúne 16 instituições da sociedade civil e organismos multilaterais com o objetivo de fortalecer a modalidade por meio da produção de conhecimento, do mapeamento de políticas públicas bem-sucedidas, da articulação entre diferentes atores e da incidência no debate público. Conheça mais em: redeeja.org.br